Ela escreve, ele fotografa. Os dois, agora juntos num segundo capítulo.

Longing for remoteness

O desejo chega em ciclos, como vagas. Pegar no carro, entrar num avião, fazer aquele caminho a pé. Tudo em busca do silêncio, do ideal da contemplação, da ausência de pessoas e do resto do Mundo. Tudo procurando o canto das cigarras em dias de calor extremo, a violência do mar sobre as rochas, o vento frio que impede a neve de derreter, os sons da civilização mas à distância. O ano passa-se entre a vontade constante de regressar a Portugal e a necessidade de conhecer sítios novos. É precisa mestria para racionar os dias de férias e dividi-los entre o que nos faz falta e o Mundo que ainda queremos ver.

No ano passado, conseguimos fazer a road trip que tínhamos planeada. Os quatro na nossa carrinha Dacia, a mala totalmente ocupada com o material de campismo, os snacks para os miúdos, a roupa indispensável para três semanas fora de casa. Atravessámos a Suiça, visitámos o Liechtenstein, deslumbrámo-nos com o Mont Blanc, sufocámos com calor à beira do lago Léman. Acrescentámos os dois mil quilómetros até Portugal e ainda nos dividimos entre Portalegre, Lisboa e a aldeia do Colmeal. Dormimos em tendas, em hotéis modestos, em casa de amigos e na nossa casa em Lisboa. Tomámos banhos de lago e de piscina, falhámos os mergulhos no mar. Comemos bons pratos de massa à beira do lago Como, caímos em tourist traps, tivemos o prazer de comer bife na pedra, desenrascámo-nos com sandees.

Este ano, o paradigma das nossas férias muda radicalmente. Um quarto de hotel deixa de ser suficiente para os cinco. Quatro bilhetes de avião a preços de adulto tornam-se proibitivos. Conseguir mesa num restaurante deixa de ser tão simples. Encontrar actividades adequadas simultaneamente para seis e dois anos vai ser um desafio, ao mesmo tempo que um bebé começa a ter que ser entretido também. O desejo (melhor, a necessidade) de fazer uma GRANDE viagem a dois agudiza-se e começamos a sonhar com destinos longínquos. A dias da primeira grande viagem do ano, suspiramos por Portugal e sonhamos (em silêncio) com os próximos destinos.

Uma outra Bruxelas

Verkauf dich nicht, Berlin / Jung bist du nicht / Du alterst so schnell*