Ela escreve, ele fotografa. Os dois, agora juntos num segundo capítulo.

They tell us "Autumn's a comin' and soon everything around us will die*

 

Alguém que me explique como nos podemos despedir, pacificamente, do Verão. É aquele tipo de despedida que queremos prolongar para sempre, tentando impedir que a próxima estação lhe suceda como é esperado. Como se o nosso estado de negação pudesse manter Sol e céu limpo para sempre sobre nós.

Tivemos um Verão muito bom. Tivemos a sorte de gozar três semanas de férias sem um único dia tristonho, não importa se perto da montanha, em pleno campo ou no coração de Lisboa. Tivemos a sorte de poder sentir o calor que, até ao início das férias, nos parecia apenas uma miragem a que apenas os outros podiam aceder. Era como se as férias, as praias, o calor não nos fossem permitidos - um castigo por termos optado pela vida aqui. As redes sociais agudizavam a tortura: era doloroso fazer scroll por tantas fotografias de areia, água quente, praias mais ou menos desertas, esplanadas cheias, bebidas frescas, biquinis e chinelos.

Então o nosso Verão foi bom. E estendeu-se até esta semana, que agora termina em modo totalmente outonal. Depois de um dos dias mais quentes do ano (esta Quarta-feira, em que até limitaram a velocidade nas auto-estradas a 90km/h para evitar a formação de smog), regressámos ao cenário normal luxemburguês do cinzento que quase nos toca as cabeças. Hoje acordámos debaixo de nevoeiro cerrado, que se foi dissipando apenas para mostrar mais cinzento. A roupa já não pode secar na rua, a piscina precisa ser esvaziada, mais cedo ou mais tarde haverá que limpar as folhas no jardim.

E, ao mesmo tempo, o cinzento, os chuviscos e as manhãs frias reconfortam. Já não precisamos de aproveitar todos o tempo possível na rua, já podemos simplesmente decidir ficar em casa. Chego à conclusão que o que me faz realmente falta, mais do que o Verão constante, é poder sentir a passagem das estações. E posso dizer que o Verão foi generoso para nós e posso achar que agora até é altura de Outono. Mesmo se no meu íntimo resista a vontade de Sol e calor todo o ano, por mais anti-natural que isso seja. Em breve teremos que fechar as janelas antes de dormir e o chá passará a fazer sentido e multiplicar-se-ão as abóboras por todo o lado. Obrigada Verão. Agora é tempo de abrir a porta ao Outono.

* com My Cosmic Autumn Rebellion dos The Flaming Lips.

Estugarda

Férias, dias 7 a 21: calor a Norte, a Centro e a Sul