Ela escreve, ele fotografa. Os dois, agora juntos num segundo capítulo.

Férias, dias 2 e 3: os lagos da Lombardia

E então, do pequenino Lichtenstein, regressámos à paisagem dramática da Suiça por alguns quilómetros, em busca da fronteira com Itália, o nosso próximo destino. Seguimos religiosamente as instruções do GPS e por isso foi com algum espanto que nos encontrámos numa estrada em construção, ou melhor, num estreito e sinuoso caminho de terra batida, inaugurado com um semáforo que apenas deixava seguir o trãnsito num sentido de cada vez. Eu estava cheia de dúvidas: afinal, que raio de fronteira era esta para onde no estávamos a dirigir? Subitamente a estrada passou novamente a ser de alcatrão (apesar de mal conservado) e a tornar-se cada vez mais íngreme, foi subir subir subir, agarrada com todas as minhas forças à porta, tentando não olhar para os declives e amaldiçoando os carros e as motas com que nos cruzávamos.

Por toda a nossa subida podíamos ver pessoas a caminhar, subindo e descendo a montanha, munidas de bastões ou apenas de mochilas às costas. Eu fixava-as com terror. Mas subitamente, percebemos que tínhaos chegado a um qualquer ponto de referência, já que os carros e motas estacionados se multiplicavam durante alguns metros. Corria um vento gelado, apenas justificado pela altitude em que estávamos, já que o céu estava glosiosamente limpo e azul. Tínhamos chegado à fronteira com a Itália e estávamos no famoso Passo dello Spluga (que podem ver aqui referenciado como uma das estradas mais perigosas!), que aparentemente já não é usado depois da construção de um túnel (que nós desconhecíamos, obrigada GPS). Lá em cima, a vista era de suster a respiração e depressa descemos até Montespluga, uma pequena aldeia de três ruas em frente a uma albufeira cristalina onde comemos as primeiras massas a sério (aqueles gnocchetti com o queijo lá da serra ficaram na memória...).

Daí embarcámos numa descida igualmente cénica, cascatas a brotarem das rochas, as casas que nunca saberemos como foram construídas em sítios tão inacessíveis, túneis atrás de túneis a rasgar a montanha, rezando para que não viessem carro naqueles cotovelos danados. Seguimos directamente para o lago Como, a nossa próxima paragem. Tão pouco sei como me ocorreu visitá-lo mas sei que acabámos acampados nas suas margens, os únicos portugueses entre tanto mas tantos holandeses e um ou outro alemão. A zona à volta do lago podia facilmente confundir-se com a envolvente de algumas praias em Portugal: muitos hotéis, hostels e parques de campismo, academias de surf, gelatarias e restaurantes do tipo turist-trap. O lago é magnificamente enquadrado pelas montanhas pré-alpinas, rodeado de muitas praias cheias de famílias e também um magnífico cenário para um pôr do Sol num dia de Verão.

No dia seguinte, apesar de mantermos a nossa base junto ao Como, viajámos até ao lago de Iseo, a cerca de 160 km. Íamos convencidos que poderíamos ver esta instalação de Christo, sem sabermos que tinha já terminado duas semanas antes. Mas, logo após esta desilusão, veio o deslumbramento: o entorno do lago é lindíssimo e decidimos apanhar um barco até à ilha de Monte Isola para podermos ter outras perspectivas. Neste ilhota, parecem só circular motas, há um grande tráfego de embarcações e muitas esplanadas à beira do lago, onde nos podíamos sentar com um rosé fresco ou um gelado e mergulhar de seguida, se fosse essa a nossa vontade.

As memórias que guardo dos nossos dias em Itália podem resumir-se a céu e água incrivelmente azuis, um calor abrasador, as obrigatórias massas, a sensação de que poderia viver em Itália e aprender Italiano num instante, a senhora da bomba de gasolina que vai visitar Lisboa em Outubro com a filha, a simpatia dos Italianos com que pudemos trocar meia dúzia de palavras e as recordações que comprei, desapontada, numa loja de chineses.

Férias, dia 4: contemplar o Mont Blanc

Férias, dia 1: o minúsculo Lichtenstein