Ela escreve, ele fotografa. Os dois, agora juntos num segundo capítulo.

Férias, dia 4: contemplar o Mont Blanc

A última etapa antes de voltarmos à civilização ligava o Norte da Itália com a montanha mais alta da Europa, com a qual eu já sonhava há uns anos. Não sou particularmente fã de escalada ou de outras propostas mais radicais, o que procurava era aquela sensação de estar frente a um belíssimo capricho da Natureza, quase cinco quilómetros de altitude, coisa para nos fazer colocar tudo o resto em perspectiva e remeter à nossa pequenez.

As indicações era bastante claras, podíamos ler Monte Bianco em qualquer informação sobre as distâncias que havia a percorrer e, durante alfuns quilómetros do percurso, a paisagem assemelhava-se muito à zona do País Basco, que atravessamos entre túneis, as casas de montanha e aquele verde exuberante. Talvez a maior diferença tenha sido a meteorologia: enquanto sempre atravessámos o território basco debaixo de chuva e aquela bruma das terras mais altas, neste pedaço de Itália que nos conduzia ao monstro branco o céu estava bem limpo e, apesar de a termperatura diminuir à medida que subíamos, continuava calor.

A estrada e as curvas distraíam-nos e, de repente, encontrámo-nos exactamente debaixo do Monte Branco, numa fila para atravessá-lo por um túnel que se anunciava longo e cheio de necessidades extra de segurança. Enquanto esperávamos, pudemos sentir aquele encanto da neve que reluz no pico da montanha, a imponência das cadeiras montanhosas cuja criação os leigos (como nós) jamais irão entender, de certa forma o nosso lugar no Mundo. Onze quilómetros de túnel a velocidade bastante reduzida, advertências de tal maneira presentes que não podíamos evitar a sensação de estarmos em comunhão com algo gigante e até imprevisível. No final do túnel, as filas para entrar do lado Francês, mais montanhas mas nenhuma neve à vista, o gigante nas nossas costas.

Ainda tivemos tempos de visitar Saint-Gervais-Les-Bains, que fervilhava de gente interessada em parapente (o números de praticantes que vimos nesse período era verdadeiramente impressionante e as escolas multiplicavam-se pela vila), montanhismo e caminhada, termalismo e, descobrimos assim que chegámos, uma etapa da volta à França, preparada com o natural entusiasmo e rapidez. A vontade que trouxemos foi apenas uma: regressar com tempo e encontrarmos um sítio de onde possamos contemplar a grandiosidade do Mont Blanc serena e demoradamente.

Férias, dias 5 e 6: voltar à estrada com uma pit stop em Lausanne

Férias, dias 2 e 3: os lagos da Lombardia